Em Fevereiro escrevi sobre as três reformas mais urgentes para a economia portuguesa, mais concretamente flexibilização da lei laboral, reforma da justiça e liberalização de mercados. Oito meses depois ainda nada foi implementado, com excepção de algumas alterações à lei do trabalho, e claro mais medidas de austeridade. Estas reformas continuam a ser tão importantes como nunca, mas neste momento algo mais urgente é evidente, isto é, medidas directas de criação de emprego productivo.
O que mudou foi que já ninguém tem esperanças de melhorias para os países em crise. Todos os países ricos estão pior do que estavam no início e meio deste ano. A Índia, China e Brasil mostram sinais de abrandamento devido também à incerteza e crise no mundo ocidental. E não se vislumbra final para crise do Euro. Juntando isto a não se ver um "fim" objectivo para as políticas de austeridade na Europa, ninguém, pessoa ou instituição, quer investir. Ou seja, gastar as poupanças que tem hoje, pois não sabe o que virá amanhã. Pior, ninguém quer gastar o seu dinheiro em coisas menos importantes, poupando. Essa poupança está fechada nos bancos que redescobriram a sua orientação cautelosa e estão também pressionados a alcançar os novos e mais elevados buffers de capital.
Numa palavra, não há esperança.
Sem esperança, o problema do desemprego vai piorar.
O austero orçamento de 2013 corta em tudo, menos nas despesas de subsídio de desemprego. Isto, não porque os subsídios estão a subir, mas porque o número de desempregados está a aumentar. Embora mais impostos e cortes na despesa, e mesmo assim défice orçamental.
Precisamos de mais emprego.
Vamos rapidamente recapitular a nossa história... 1) A China entra na organização mundial do comércio e a nossa indústria desaparece. 2) Entramos no Euro e ficamos com acesso a crédito muito barato. 3) Pensamos que somos ricos e deixamos de produzir.
Eu acredito no capitalismo liberal e em políticas liberais. Mas para um país funcionar bem com este sistema precisa de ter os diferentes sectores industriais desenvolvidos e pessoas com capital para investir e gastar.
Neste momento, não temos um sector privado equilibrado e é daí que vem a nossa falta de emprego.
Temos um sector agrícola pouco produtivo e um sector industrial demasiado pequeno. E embora tenhamos muitas, e boas, empresas privadas de serviços, estas não são capazes de atrair a riqueza de fora, como o sector bancário faz em Londres ou Zurique.
Esta pescadinha-de-rabo-na-boca, sem empresas não há emprego, e sem emprego não há quem compre e faça as empresas terem lucros, é o nosso problema essencial.
Dado este panorama onde ninguém quer investir, tem de ser o estado a investir. Tem de ser o estado a criar emprego, não aumentado o número de funcionários públicos, mas criando emprego produtivo, ou seja criar empresas que possam mais tarde ser privatizadas. O estado deve criar empresas para produzirem coisas que o mesmo estado compra ao estrangeiro. Mesmo que desafie a lógica de mercado e fique mais caro, vai concerteza ficar mais barato que tanta gente no desemprego.
O objectivo é criar emprego. Mas conseguimos também assim diminuir o défice comercial, movimentar dinheiro na economia (não através do emprego directo, mas também através de outras empresas que interajam com as novas) e evitar a erosão de conhecimentos dos trabalhadores.
Nem parece um post meu, mas dadas as circunstâncias parece-me uma medida crítica e inevitável para sairmos desta crise.
O objectivo é criar emprego. Mas conseguimos também assim diminuir o défice comercial, movimentar dinheiro na economia (não através do emprego directo, mas também através de outras empresas que interajam com as novas) e evitar a erosão de conhecimentos dos trabalhadores.
Nem parece um post meu, mas dadas as circunstâncias parece-me uma medida crítica e inevitável para sairmos desta crise.